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quinta-feira, 24 de julho de 2008

Os dedinhos

O JP realmente acha que ninguém tem mais o que fazer além de lamentar das burradas que ele faz. Sim, a Majô e eu ficamos putas com vc. E acho que não só a gente. Ninguém tem mais paciência contigo, não percebeu? Só o teu irmãozinho encostado que comenta os teus posts.

Mas talvez eu não tivesse que te recriminar, afinal todos nós estamos sujeitos a recaídas. Acho que fiquei mais chateada de saber que não vamos mais trabalhar no mesmo lugar, mas sei que vai ser bom pra vc.

Dito isso, não podia deixar esse blog acabar com aquele finalzinho meia-boca felizinho do JP. As coisas não vão nada bem pra mim, e ficaram piores depois que ele saiu do hospital. André e eu continuamos no mesmo lenga-lenga sem emoção. Na cama, então, estamos mais parados do que nunca. Como se não bastasse, ainda tenho que suportar a mãe dele, que chegou ao absurdo de se convidar pra ir ao cinema com a gente outro dia, pode?

Ontem à noite, eu tive um um papo sério com a Majô. Ela me convenceu que só tem um jeito de provar se o André é gay ou não: acertando uma dedada nele. De começo eu achei a idéia absurda, mas acho que chegou a hora de encarar as coisas de frente. Ou de trás, sei lá...

sábado, 28 de junho de 2008

Síndrome do pânico

- Jotapê, cadê você? - era a Bia, no telefone.

- Tô sem idéia pra atualizar o blog.

- Esquece o blog e vem pra cá! A Cris tá aqui.

- Eu sei, a Majô disse que ela ia.

- Então?

- Não sei, fico aqui pensando... e se as coisas não derem certo entre a Cris e eu? Será que eu vou ter coragem de contar no blog?

- A Majô vai te encher o saco se você não contar com todos os detalhes...

- A Majô é .

- E você é um medrosão! A Cris não morde! Quer dizer, pode até morder, mas isso aí é com vocês.

- Não vê que eu estou passando por uma fase difícil?

- Ai ai... E ainda fica pegando no pé do André, hein? Ele pelo menos aparece e está aqui, já você...

- É diferente. Minha masculinidade não está em jogo. Estou um pouco inseguro, passei oito anos namorando uma pessoa, o que você queria?

- Eu? Que você viesse aqui curtir com a gente e esquecesse a Leandra de uma vez.

- Não sei. Acho que prefiro atualizar o blog, por enquanto.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Quero ser má!!

Há gente que acha bonito ser ingênuo, considera uma virtude. Alguns caras que até têm tesão por isso. Eu, sinceramente, acho uma babaquice só. É óbvio que não me refiro à ingenuidade de uma criança, porque ai é diferente. To falando da ingenuidade de adulto mesmo. Pra mim, isso não existe, de duas uma: ou a pessoa não tem porra nenhuma de ingenuidade e é só fingimento ou o lance tem outro nome, chama-se trouxisse.

Infelizmente eu me enquadro na categoria desse tipo de trouxa, babaca, gente que é passada pra atrás, gente sem “malícia” no teor não-sexual da palavra. Desde a escola foi assim comigo. Eu sempre colocava o nome de algum folgado em um trabalho que tinha feito sozinha e quando eu precisava do mesmo favor, nunca rolava, porque todo mundo já estava com os grupos lotados.

E o pior que não aprendi com isso. Continuo otária. É comigo que as pessoas vêm falar primeiro quando querem trocar de plantão. É pra mim que a minha mãe pede pra buscar pão no frio. É só o meu carro que o meu irmão pega sem pedir. É a minha intimidade que o Jotapê faz questão de expor aqui quando não tem nada da vida dele pra contar. É a minha saia que a Majô devolve fedendo a cigarro, porque as roupas da Cris ela sempre lava antes de devolver.

Ai, to de saco cheio de mim. A Jú tem razão, não tenho critério e gosto de todo mundo. Sei lá, acho que as pessoas não têm maldade, que todo mundo é meu amigo.

Se chega um bandido no hospital, é a Bia que eles mandam. Até que essa semana aconteceu o pior: um deles passou a mão em mim! Chorei de raiva. Não me perguntem por que não xinguei ou soquei os pontos dele. Simplesmente sai chorando. Precisou um filho da puta desses me lembrar que tenho bunda, porque se depender do meu namorado... mas essa é outra história, que continua em suspenso até que eu tenha algo digno pra escrever aqui. Uma decisão de verdade.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Apatia

To chateada. Se pudesse, ficaria só na minha caminha vendo TV. Mas não to chorosa, irritada ou puta da vida. A maior prova disso é que o Jotapê não ficou com um olho roxo, com o braço quebrado ou estéril depois daquele post. Eu dei o anel e ele pegou o braço todo, escrachando minha vida, minha intimidade (ou a falta dela) aqui no blog.

Mas querem saber? Que se foda! Não to nem ai. Por pouco o André não descobriu o blog outro dia, quando a minha amiga Jú soltou um comentário a respeito de um texto daqui na frente dele enquanto a gente tomava um lanche na cantina do hospital. A sorte (ou será azar?) foi que ele tava tão empolgado elogiando os dotes culinários da mamãezinha dele que nem prestou atenção. As vezes, eu acho que seria melhor que ele lesse tudo isso de uma vez, já que não tenho coragem de abrir o jogo sobre nossos problemas.

Nem tudo é perfeito. Na verdade, sei que é tolice pensar que as coisas seriam perfeitas, mas enfim, sou uma idiota sonhadora. Caiu a ficha de que um perfil de homem ideal (bonito, bem sucedido, gentil) pode ser uma grande arapuca, pois a gente não se prepara pelo que vem pela frente: no meu caso, uma sogra pentelhas e o pior, uma vida sexual morna.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Dieta frustrante

Ando meio atrapalhada com prazos e datas. Estou atrasada para postar aqui (sorry, Majozinha) e acabei comemorando o dia dos namorados ontem: o André está de plantão essa noite e eu não consegui mudar de jeito nenhum o meu plantão de amanhã. É aquele esquema de lei de Murph, sabem? Mesmo que o mundo esteja repleto de encalhadas, justamente as duas enfermeiras que poderiam trocar o dia 12 comigo têm namorado. Enfim, comemoramos ontem mesmo. Até ai tudo bem.

Comprei um vestido super legal e mega caro numa loja lá no Cidade Jardim. Fiquei pensando que a própria Carrie do “Sex and the City” o usaria. É meio verde escuro, pra Majô é azul petróleo, mas tudo bem. Deixando todos os meus complexos de lado, acho que eu tava bem legal. Gostosa, sexy e charmosa.

Fomos a um restaurante de foundi lá no Morumbi. Bem romântico. Trocamos presentes. Dei a jaqueta e ganhei uma pulseira de ouro, tipo um braceletezinho, super linda. Algumas taças de vinho depois eu comecei a tentar excitar o cara, falar umas bobagens sensuais, fazer caras e bocas. Até que soltei aquela que os caras geralmente amam: revelei que estava sem calcinha. Alguns beijinhos depois (coisa discreta, afinal a gente tava num restaurante), coloquei a mão lá e para a minha surpresa: estava mole! Achei estranho, mas ignorei.

Na hora de ir embora, eu louca para seguir pro motel, o André vem com essa: Ah, amor, to tão cansado.... Me deixou em casa e pronto, fiquei a ver navios. Ao mesmo tempo que tenho certeza que ele é hetero, as vezes ocorrem umas coisas estranhas com ele, tipo essa aí de ontem. Será que ele tem outra? Será que é por que não come carne?

quinta-feira, 29 de maio de 2008

papéis invertidos

quando a gente entra numa espiral de bizarrices é difícil sair. e porque eu sou teimosa, e porque não me controlo, despenquei de novo até a fazenda da minha madrinha no feriadão passado, mesmo sabendo que os meus primos não iriam e que ela tinha uns assuntos pra resolver e não me daria muita atenção. fui com a desculpa de descansar, cavalgar, mas na verdade com a intenção de rever o filho do caseiro. mas pro meu azar (ou sorte, ou praga da Bia) ele não estava lá. ele pediu uma folguinha pra ir com a família visitar sei lá quem e a minha madrinha deu. cruzes! foi fazer oq? foi trocar um porco por uma enxada?

na minha cabeça, como tudo gira em torno de mim, lógico que ele não estava lá porque descobriu que eu iria e não quis me encarar - era o que eu tentava acreditar para me sentir talvez um pouco mais importante. e por causa disso entrei num parafuso danado, me sentindo um nada, rejeitada, sem minha prima pra conversar, desabafar, chorar as pitangas, sem ao menos um shopping pra eu comprar uma bota nova e dar uns chutes no ar com ela, fiquei literalmente a ver navios nuns dias irritantemente lindos, de céu azul, porém inúteis e sem sentido pra mim.

me restou a Darlene, cozinheira de lá há anos q conheço desde criança. ela adora ouvir rádio AM enquanto cozinha e conta sobre a vida dos outros. o papo tava bom, mas o som já tava me irritando quando, eis que toca uma música sertaneja que, desculpa, Jotapê, me fez lembrar de você, da sua situação com a Leandra, e por um momento eu ri. minto, eu ri até q bastantinho, de tanto q a letra se encaixa na história. porém, não sei porque, quando a música foi chegando no finzinho, acho q me senti culpada por um monte de coisa, inclusive de ter rido do Jotapê e de nao estar aqui nem pra dar uma força a ele, mas principalmente por estar ali no fim do mundo para representar justamente o papel inverso, um papel besta, egoísta, abominável e ingrato de ser "a outra", e eu entrei num surto ridículo de choro sem parar. "eu te entendo, filha. eu te entendo", consolava a Darlene sem fazer a menor idéia (espero, aiaiai) do que estava acontecendo. "come um doce q passa"

Eis a tal música:

De igual pra igual, Matogrosso e Mathias

terça-feira, 6 de maio de 2008

Entre a felicidade e o desespero

Surtei. Admito que surtei. A garota solteira de 28 anos que nunca, nunquinha, tenha surtado pelo mesmo motivo que eu, pode atirar a primeira pedra. E não venham com essa história de “essa tal de liberdade” porque ninguém vive em êxtase sete dias por semana.

Surtei, caros amigos, porque tive medo que a minha felicidade terminasse. Tive não, tenho medo que o André descubra esse blog, minhas inseguranças, meus defeitos, minhas cagadas (e a dos meus amigos), e a nossa história termine por aqui. Faz tempo que não me sinto tão feliz como nos últimos dias e se não escrevi aqui na semana passada, não foi porque estava trabalhando ou puta com o JP, foi porque estava em outra dimensão, onde o amor vive no ar.

Resumindo a história: acumulei alguns plantões nas duas últimas semanas para conseguir folgar no feriadão de 1º de maio e poder passar três dias em Campos do Jordão com o André.

Depois daquele almoço meio estabanado e da seqüência de desencontros, as coisas começaram a entrar em sintonia entre a gente. Se eu entendesse de astrologia diria que nossas luas se cruzaram em Vênus ou alguma bosta do gênero, mas enfim, nossos plantões começaram a bater e o clima a esquentar. Saímos numa quarta e rolou o primeiro beijo na hora da despedida. Saímos outras quatro vezes (contando um almoço em um japa). Daí então veio o convite pra viagem, acho que ele sacou que eu era um tanto regulada e quis dar o cheque-mate. Funcionou. No friozinho de Campos, depois de duas garrafas de vinho, não resisti e liberei geral.

Tudo bem, estou apaixonada. Ele foi meigo demais. Choveu na quinta e na sexta e a gente ficou direto no chalé, assistindo aos DVDs que levamos, jogando buraco, comendo e vocês podem imaginar o resto. No sábado, nosso último dia lá, a chuva deu uma trégua e passeamos pela cidade. Aquelas coisas de sempre, comprar malhas, andar no teleférico e aproveitei pra provar um foundie de chocolate individual, custa só R$ 12 e você escolhe duas frutas para acompanhar. Uma delícia, como tudo no feriadão, ou quase tudo.

Um pouco antes de vir embora, sei lá, comecei a achar que estava tudo perfeito demais pra ser verdade e que aquela alegria ia acabar logo. Fiquei imaginando o André não me ligando mais, não respondendo os meus telefonemas e simplesmente desaparecendo. Fiquei quieta e o André começou a insistir naquela perguntinha mala “O que é que você tem?”. Até eu responder que estava com cólica (impressionante como os caras sempre acreditam nessa). Daí eu lembrei do tomebota, do post do JP questionando a sexualidade do André e dele me falando de como valoriza a sinceridade numa relação... Paramos no Frango Assado da Carvalho Pinto. Do banheiro, liguei para o JP e descarreguei todo o meu medo. Ao invés de me acalmar, ele ficou tocando o terror, dizendo que eu estava gritando e que o hospital todo ia ouvir – só pra se fazer de coitadinho e lembrar que estava trabalhando num sábado (coisa que os almofadinhas do administrativo fazem uma vez a cada século). Enfim, e meio-hora depois escreveu tudo no blog.

Foi isso que aconteceu. Não quero abandonar o blog, não estou mais tão surtada, mas continuo com medo. Preciso contar sobre o tomebota pro André e não sei como. A Majô acha que to fazendo tempestade em copo d’água e que perto de ser “comedor de alface” isso aqui é fichinha. Talvez eu até esteja exagerando, mas entendam, não é todo dia que a felicidade bate a nossa porta e a gente encontra um cara legal. E se o ortopedista partir meu coração? Quem vai consertar?

sábado, 26 de abril de 2008

O médico e monstro

É estranho trabalhar em um hospital sem ser médico ou enfermeiro. Parece que ninguém se dá conta de que aquilo é como uma empresa qualquer, tem contas para pagar, um estoque para controlar, um inacreditável esquema de logística...

Mas deixa pra lá. Já me cansei e tenho certeza de que já cansei a paciência de todos ao meu redor com essa conversa furada. É que não consigo me acostumar a passar por um daqueles corredores e ser confundido com um médico. Se bem que, no começo, me sentia até honrado ao ver aqueles rostos doentes implorando pelo meu diagnóstico.

Muito bem, depois de duas semanas com uma gripe forte, a mesma que trouxe metade da cidade ao hospital, decidir descer e fazer uma consulta com o médico de plantão. Até imaginei encontrar a Bia pelos corredores, mas aquela hora ela devia estar em outro plantão ou de folga, é impossível acompanhar a rotina dela.

Pelo contrário, para a minha surpresa o médico do horário era ele: Dr. André Machado. Engraçado, ele não tem cara de Machado, está mais para André mesmo. Quero dizer, ele faz bem o tipo da maioria dos residentes: cara de moleque cheio da grana que está cumprindo a pena necessária para válidar o diploma e obter um mínimo de conhecimento antes de abrir o próprio consultório e atender apenas a clientes de (bons) convênios.

Sem me identificar, quer dizer, sem dizer que era amigo da enfermeira Bianca, contei a ele o meu caso. Como ele sabia que eu era funcionário do hospital, creio que consegui uma atenção maior do que a normal. De fato, ele foi muito gentil desde o começo.

- Tudo bem, suba ali na maca e tire a camisa - ele disse.

Até então, imaginei que tudo se tratava do procedimento clínico convencional. Até ele fazer um comentário que me deixou, literalmente, com o cabelo em pé:

- Puxa, quantos pêlos no tórax! Sabia que o meu peito é lisinho?

Ora, que diabos era isso? Creio que essa seria uma péssima cantada mesmo se eu fosse fosse gay.

- A mulhereda costuma gostar - falei, tentando descontrair e deixar claro as minhas preferências, mas já tenso.

Depois de examinar meu ouvido, garganta e pulmões, pediu-me para deitar na maca e começou a apertar minha barriga. Agora, tudo que fizesse teria uma conotação homossexual para mim. Até que ele voltou a me surpreender:

- A Bia me falou bastante de você, Jotapê. Como vão as coisas com a namorada?

A pergunta me deixou tão ou mais desconcertado do que a primeira. Ora, se ele sabia quem eu era e, pior, das minhas "convicções", digamos assim, por que agiu daquele jeito?

- Confusas - respondi. Tudo está muito confuso...

- Pois bem. Pode pôr a camisa e esconder esse peito peludo. Passe aí do lado e tome essa injeção de corticóide. Depois tome esses remédios que eu vou lhe prescrever e logo logo você vai se levantar.

- Doutor, eu não preciso de remédio nenhum pra me levantar, pelo menos por enquanto...

Ele sorriu e me disse se não podíamos marcar de sair um dia desses.

- Você quer dizer, você e eu...

- E a Bia e a Majô. E a Leandra, se você quiser.

- Oh, sim. Claro... Obrigado, doutor Machado.

- André, pode me chamar só de André.

sábado, 12 de abril de 2008

Sem parar

Eu já havia preparado um rascunho de testamento, imaginando a reação de Leandra ao descobrir que escancarava aqui um pouco da nossa intimidade, ou a falta dela. Já havia até designado a Majô para cobrir os custos do meu funeral. Afinal, foi ela a mentora intelectual (ou intelectualóide?) deste nosso blog.

Por isso, fiquei surpreso ao me deparar com uma Leandra não somente dócil como amorosa, completamente diferente da pessoa que fingia ignorar meus apelos mais primitivos há mais de três meses.

- Você não ficou chateada? - perguntei, ainda dando corda e esperando as pedradas assim que ela baixou em casa.

- Claro que não, João Pedro. Todos nós temos os nossos pecadinhos, certo? - ela disse, um tanto maliciosa, mas sem maldade, se é que me entendem.

Não, vocês não entendem. Porque esse é exatamente o sinal que ela costuma me dar quando deseja que eu avance o sinal. E mesmo que eu não tivesse entendido, Leandra fez questão de se fazer mais clara. Foi logo se livrando das roupas e se jogando em cima da cama desfeita, como sempre.

- Você vai contar o que aconteceu hoje com a gente, no seu blog? - ela perguntou, enquanto fazíamos amor. Leandra costumava falava sem parar durante a transa, dos problemas no trabalho ao capítulo da novela. Eu só sabia quando ela atingia o orgasmo por conta de uma leve mudança no tom de voz, que ficava mais aguda.

- Ora, não sei. Acho que não. O que você acha?

- João Pedro, você não é tão certinho assim. Eu li os seus textos. Os seus e os das suas amigas. Vai me dizer que, nesses oito anos, você nunca deu uma puladinha de cerca?

- Não, nunca! Nem com elas nem com ninguém - respondi, nervoso e quase ficando a meio-mastro, como o pretendente da Majô. - Você estave sempre comigo, desde os tempos da minha banda, depois na faculdade, e agora. Nem que eu quisesse!

- Desculpa, esquece o que eu disse, tá? - ela murmurou.

- Ora, por que esse assunto agora? Minhas amigas tinham razão por desconfiar de você? Você quer me dizer algo? Alguma vez nesses nossos oito anos você já me traiu e...

- NÃO PÁRA, JOÃO PEDRO!

- O quê?

- NÃO PÁRA!!! NÃO PÁRAAAAAAAAAAAA...

Bem, eu não parei, mas precisei interromper o interrogatório sem conseguir nenhuma resposta. Puxa, foi nossa melhor performance em anos. Mas não posso afirmar se, da parte dela, foi tudo real ou não passou de fingimento. Alguém aí pode me dizer que parte da história eu perdi?

sábado, 5 de abril de 2008

Chega de saudade

Sinto um grande desânimo só de acompanhar minhas duas amigas nesse processo lento e incerto de conquista. Não sei se teria condições de repetir todo o ritual mais uma vez. Tudo isso para dar onde deu, ou melhor, não deu, se é que fui claro.

Leandra e eu estamos cada vez mais distantes. Ou talvez sempre estivemos, e só agora eu me dou conta. A verdade é que estou em crise, e nossa abstinência sexual não me ajuda em nada.

Animadas em contar sobre suas novas presas, Majô e Bia mal me davam atenção. E quando faziam algum comentário era apenas para me encher o saco.

- Feliz 2008! – avacalhava a Majô.

Mais séria, Bia me fazia confirmar inúmeras vezes que eu ainda não havia perdido a virgindade este ano.

- Você deve ter se enganado. O que vocês fizeram no Carnaval?
- Assistimos ao desfile das escolas de samba na TV. Leandra adora, esqueceu?
- Sei não. Será que ela não está te passando pra trás? – perguntou a Majô, daquele jeito em que ela mesma parece ter a resposta.

É claro que neguei e, na hora, fiquei emburrado com aquela trocadora de lâmpadas travestida de arquiteta. Mas depois, como era de se esperar, fiquei encucado. Maldição! Por mais que tentasse, não conseguia pensar em Leandra com outro cara. Fazendo o que minhas amigas agora faziam para impressionar os caras.

Passei a noite de sexta-feira e a madrugada trancado no quarto, tocando minha guitarra exaustivamente, me sentindo uma espécie de João Gilberto, com a diferença que no dia seguinte eu teria de encarar o mundo lá fora. Droga, esses oito anos de relacionamento com Leandra me prenderam em uma eterna adolescência.