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terça-feira, 1 de julho de 2008

de olhos bem fechados

quando leu aqui sobre a minha crise de consciência e o meu esforço pra ser uma pessoa melhor e mais controlada, a cris me convidou para ir no templo zulai, um templo budista em cotia. "quem sabe meditar nao ajuda?", disse ela toda solícita. eu sei lá. sempre achei isso da cris dizer que é budista meio coisa de gente metida a bacana q mora na vila madalena, só pq ela faz yoga (tem q falar iÔga, senão ela briga). mesmo pq eu sei muito bem q ela nao aplica na vida nada daquelas coisas q os budistas pregam de não ter desejo. te conheço, e bem, dona cris. desejos pulsam dentro da senhora. carnais e de consumo, como aquele de comprar uma casa de vila e pendurar aquele monte de móbiles lindos, dou o maior apoio.

daí, eu nao tinha nada pra fazer no domingo e resolvi aceitar o convite. o lugar é realmente lindo. adorei a arquitetura chinesa. por mim, tava tudo ótimo, tirei várias fotos e várias idéias de iluminacao secundária do lugar. até q ela resolveu q a gente tinha q meditar. fechei os olhos. "nao fecha os olhos" eu faço o q, entao? "shh fala baixo." era pra eu ficar com os olhos abertos - pra não dormir - e prestar atenção no q eu tava pensando. mas, só isso? "se vc prestar atenção no q vc está pensando, vc vai saber oq passa dentro dessa cabecinha", sussurou. mas isso nao é óbvio?

ok, resolvi aceitar o "desafio". e tudo o q passou pela minha cabeça enquanto eu meditava foi: mas que saco! q chato todo mundo quieto. que insenso enorme. será q eles acendem tudo de uma vez? ai, tá meio desconfortável. meu pé vai dormir. será q na lojinha lá fora tem lanterna japonesa? tem um mosquito aqui dentro. sai, sai, não vai grudar no meu cabelo. ai, meu pé. nossa, que moço lindo é esse que está entrando agora? gente! de onde surgiu? senta aqui do meu lado, senta, bebê? isso, segue mais pra esquerda, mais, mais. agora entra na minha fileira. não, caralho, era nessa aqui. viadinho. nossa, ele sabe meditar, ele sentou direitinho, tem bom alongamento. será que é gay? acho q não. ai, meu pé tá dormindo. eu tenho q dar um jeito de falar com esse cara, ele deve conhecer várias posições. q dor. não vai acabar logo isso aqui? caramba. o cara já tá indo embora. puta que o pariu. e agora? ai, meu deus. acaba logo! filha da puta, a cris dormiu!!!!!

- acorda, sua louca!
- ã? oq? desculpa.
- meu pé qse gangrenou!
- conseguiu meditar?
- meditei tanto q tive uma visão do amor da minha vida. só q vc dormiu e ele foi embora.
- ã?
- deixa pra lá.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

thinking twice

EU NÃO TE AMO MAIS!!! foi o que eu gritei para o Anderson antes dele deixar o nosso apartamento de vez. foi da boca para fora, mas ele acreditou e não teve mais volta. a essas e outras atitudes impulsivas devo grande parte das minhas tantas cabeçadas. depois q a Bia andou me falando umas verdades essa semana, pq eu reclamei q nada dava certo, veio de repente na minha cabeça uma sequência gigante de flashbacks de muita coisa q fiz do genero por aí e só me ferrei.

* quando joguei fora todas as fotos minhas com o PH (tinha cada relíquia d'Os Lanternas);
* quando larguei do emprego de cenógrafa/iluminadora de shows só pq eu nao ia com a cara da bicha do produtor (hj eles estão produzindo várias turnês na Europa e eu pastando num escritoriozinho de arquitetura de merda);
* todas as vezes q ri na cara do filho do caseiro q dizia querer um dia casar se comigo (logo depois ele engravidou outra, casou e fez outro filho);
* o dia em que olhei para o bilau do intelectualóide e disse "que brinquedinho bonitinho" (será por isso q ele ficou meio-mastro pra sempre?)
* as vezes q bebi demais e acordei em lugares q nao lembrava como fui parar (nessas já perdi celular, documento, dinheiro e vários acessórios).

a lista é longa... e eu resolvi seguir os conselhos da Bia - pelo menos tentar - de me controlar. só q essa coisa de guardar pra mim, sei lá, viu? não é muito da minha natureza. a primeira "oportunidade" já foi na terça, qdo saí pra tomar um chopp com o pessoal do escritório e um tio que estava na mesa de trás inclinou a cadeira pra puxar um papinho muito besta e inconveninente comigo. minha vontade era dizer: "cuidado, que nessa idade, se cair e quebrar, depois não cura mais". mas fiquei na minha. não ganhei nada tendo paciência. do contrário, perdi tempo fingindo ser educada e o gato da mesa da frente, que eu estava paquerando mesmo desde que cheguei, foi embora sem eu nem sequer ter chance de dizer um "oi".

terça-feira, 22 de abril de 2008

Picanha ao ponto, mas com salada

Cedendo aos insistentes pedidos de meus companheiros de blog, enfim vou escrever sobre o desenrolar da minha história com o Dr. Machado, que agora é simplesmente André. Mesmo porque, não seria justo eu ficar me resguardando depois da retaliação da Leandra em relação aos últimos posts do Jotapê, que segundo ela fica expondo a história dos dois “nesse espaço ridículo”.

Bom, depois de uma série de “coincidências” que nos levaram (eu e o André) ao mesmo momento à máquina de café (nada como fazer a unha com a esposa do cara que cuida do monitoramento câmeras do circuito interno), e de diversas conversas sobre o tempo, o capuccino sem gosto, plantões e pacientes malas, consegui que ele me convidasse para almoçar numa sexta-feira, depois de um plantão de 24 horas.

Óbvio que tomei banho na clínica e caprichei no melhor estilo “não estou nem ai, só tomei um banho, sou sempre assim despojada”. Saímos. E daí, meu primeiro fora, sugeri irmos a um rodízio ali perto, mas o André solta essa: “Ah não, sou vegetariano. Você já viu como é o abate dos animais?”.

Nesse momento eu quis sumir. Só não sei se por causa do fora ou por descobrir que ele não era perfeito. Sinto muito se você não come carne, mas para mim isso é um grave defeito, além de uma chatice. Eu amo os animais, inclusive a minha vaquinha da Parmalat, mas amo mais ainda uma picanha no alho. Sinceramente, há cinco tipos de pessoas que eu não confio: políticos, testemunhas de Jeová, gente que tem enxaqueca, que gosta de pitbull e que não come carne.

Mas enfim, o mercado está ruim e me vendi ao sistema: nesse dia pedi um salmão com molho de maracujá. Passado o susto, conversamos bastante e trocamos olhares e telefones. Ele me ligou no domingo, do seu plantão e me chamou para sair na terça, mas dessa vez quem estaria de plantão era eu. No final de semana seguinte, ele viajou para a casa dos pais, em São João da Boa Vista. Daí eu aproveitei e fui pra Santos com a Jú. Neste final de semana, ambos pegamos plantões, mas em locais diferentes, ele na clínica e eu em Guarulhos. Temos nos falado com freqüência e devemos sair amanhã. Acabei relevando o lance da carne, afinal, a carne é fraca.

Respondendo desde já:

- não, Majô, eu ainda não o beijei, não sou um lesma nem ele é viado, apenas estamos deixando as coisas fluírem naturalmente;

- ele sabe que sou carnívora e garanto que em determinado momento vai até curtir essa idéia;

- apesar dos inúmeros plantões noturnos, não estou querendo ficar rica, apenas tentando quitar as prestações do Fox antes que ele decepe meu dedo.

terça-feira, 15 de abril de 2008

A inveja é uma merda

Domingo à tarde, eu e a Jú na praia, estendidas que nem duas jacaroas. Resolvemos aproveitar nosso restinho de final de semana e a folga de segunda em Santos. Antes que me chamem de folgada, quero avisar que tinha acabado de largar um plantão de 24 horas em Guarulhos, ok?

Nosso plano era: descer e não ter que fazer almoço nem jantar (a gente fica na casa da mãe da Julianne, que faz de tudo pra agradar a bebezinha de 28 anos que a abandou e mudou pra São Paulo), pegar uma praia e aproveitar pra beber até cair gastando pouco de taxi.

Daí a gente liga pra Luiza, amiga da Jú lá de Santos, pra saber qual era a boa da noite: Badovick? Heins? Ou chutar o balde e ir direto pro Toninho ou pro bar do Jorge de havaianas mesmo? Daí a Luiza vem com essa:

- Não posso, amiga, to morta hoje, não agüento nem nada light. To desde quarta saindo toda noite.

- É mesmo? E o que tanto tem pra fazer nessa cidade?, perguntou a Jú.

- Ah... amiga, tu sabe né? Eu não valho nada, to de A a Zinco.

Essa eu não conhecia: “de A a Zinco”. Achei o máximo, caiu na rede é peixe e revirar a agendinha é coisa do passado. A moda agora é “de A a Zinco”.

Sinceramente, não sei como a Luiza agüenta. Tudo bem que ela trabalha na comissária de despachos do pai e só entra às 10h, mas haja vitamina né? E homem? Onde é que ela arruma tanto homem em uma cidade de 400 mil habitantes e eu tendo toda a Grande São Paulo aos meus pés (com plantões em Guarulhos e São Bernardo) não consigo nem chegar à Aspirina C.

Eita fase. Acho que to precisando de um negão pra tirar a zica. Ah, só um detalhezinho que omiti até aqui: a Luiza é loira e magra!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

sábado de aleluia

não posso me queixar desse último sábado. motivo 1 - aleluia! conheci um cara legal. motivo 2 - um cara legal que dá mais valor ao papo do que à bunda. motivo 3 - meu ex colaborou sem saber.

foi assim: a Cris, nossa amiga jornalista - que escolheu a profissão só para aparecer na TV mas ainda não conseguiu, conforme bem lembrou a Bia - me chamou para uma festinha. era aniversário de uma amiga de faculdade dela. então, já imagina, povinho descolado, falante, música boa, muita bebida e tal...

um cara lindo, alto e estiloso resolveu se aproximar e puxou um papinho de intelectual. pensamento 1: "ferrou! quanto tempo vou conseguir manter uma conversa com um jornalista?" ele contou que escrevia para um site de música, mas que também gostava de cinema e literatura... (ou era o contrário?) pensamento 2: "se o assunto for esse, não sobrevivo mais dois minutos!"

tentei caprichar nas respostas. contei que já tinha iluminado montagens de peças teatrais e shows. parece que esse papo interessou, mas chegou o momento fatal em que o assunto acabou. pensamento 3: "ou agarro agora, ou tudo está perdido"

até que meu falecido ex rogou por mim! a camiseta do paquera tinha uma estampa do Joy Division exatamente igual a uma que o Anderson tem, só muda a cor. Depois que notei esse precioso detalhe, tudo o que fiz foi repetir literalmente toda a opinião do meu ex que cansei de ouvir sobre bandas de rock. as mesmas que ele me obrigava a escutar repetidas vezes, até quando a gente transava (quer coisa pior que transar ouvindo Joy Division no repeat?) resultado: funcionou, ficamos e teve até troca de telefones.

resposta 1 - não, ainda não transamos e nem ouvimos Joy Division.
resposta 2 - eu sei. sou uma fraude, obrigada.
resposta 3 - tá, tá, ok. ele gostou foi do Anderson, mas quem beijou fui eu!

segunda-feira, 31 de março de 2008

Longe das telas

O comentário machista do JP sobre a minha profissão lembrou-me de todos os processos movidos pelo Coren contra emissoras de TV pela banalização da enfermagem. Apesar de parecer ridículo para muitos, o nosso Conselho tem razão sim, afinal, o fato de muita gente enxergar as enfermeiras como prostitutas de hospital é uma baita sacanagem! A gente estuda pra caramba, rala pacas, faz plantões desumanos, convive com a dor e a morte de perto e, ainda por cima, sofremos esse preconceito. Agora, deixando esse discurso politicamente correto de lado, que não me entendam mal, pois o Coren e a nossa classe tem razão, preciso confessar algo:

Quando eu entrei na faculdade passou pela minha cabeça ter uma vida emocionante como a do ER, ou do atual e mais sexual, Grey's Anatomy. E dai? Tenho amigas que fizeram jornalismo pra aparecer na TV e outras que cursaram direito pra usar terninho, então, qual o problema de que querer dar pro George Clooney? Anos se passaram, dezenas de médicos trabalhadores e amigos, mas também grosseiros, malcheirosos e safados passaram pelos meus plantões. Até que, semana passada, conheci o Dr. Machado. Gente, o cara é tudo de bom!!! Ortopedista, 33 anos, alto, cheiroso, olhos azuis, solteiro! Agora penso: o sonho valeu a pena? To atacando como posso. Vamos ver no que dá... por ele, vestiria até uma mini-saia branca no maior estilo "enfermeira da carnaval". Torçam por mim.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Você vem sempre aqui?

É impressionante como tenho o dom de atrair babacas na balada. Sempre sou alvo daqueles malas com o papinho:"Você vem sempre aqui? / Te conheço de algum lugar/Já te falaram que é uma princesa?"

Um saco. Antigamente tinha uma técnica pra despistar, falava que estava de plantão, e assim que perguntavam se eu era médica, eu já respondia: "Sou Caixa do Extra". Não sei porque isso é tão brochante. Até tem umas meninas bonitinhas no Extra e elas usam sombra, coisa que nunca tive saco pra passar. Até a Maria Paula, protagonista da novela das oito, trabalha lá. Merchandising engraçado esse, mas enfim...

Voltando ao papo dos maletas outro dia foi o pior: Eu falei que meu nome era Bia, daí ele respondeu, de Beatriz né? Eu disse que não, que era de Bianca. Não adiantou, o cara insistiu que era Beatriz e que eu estava mentindo. Não teve Cristo que me fizesse convence-lo. Até que ele começou a ser grosso e eu tive que chamar o segurança. Realmente, depois dessa, nem vou brigar quando me chamarem de Princesa.