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sábado, 28 de junho de 2008

Síndrome do pânico

- Jotapê, cadê você? - era a Bia, no telefone.

- Tô sem idéia pra atualizar o blog.

- Esquece o blog e vem pra cá! A Cris tá aqui.

- Eu sei, a Majô disse que ela ia.

- Então?

- Não sei, fico aqui pensando... e se as coisas não derem certo entre a Cris e eu? Será que eu vou ter coragem de contar no blog?

- A Majô vai te encher o saco se você não contar com todos os detalhes...

- A Majô é .

- E você é um medrosão! A Cris não morde! Quer dizer, pode até morder, mas isso aí é com vocês.

- Não vê que eu estou passando por uma fase difícil?

- Ai ai... E ainda fica pegando no pé do André, hein? Ele pelo menos aparece e está aqui, já você...

- É diferente. Minha masculinidade não está em jogo. Estou um pouco inseguro, passei oito anos namorando uma pessoa, o que você queria?

- Eu? Que você viesse aqui curtir com a gente e esquecesse a Leandra de uma vez.

- Não sei. Acho que prefiro atualizar o blog, por enquanto.

terça-feira, 8 de abril de 2008

prazos e losers

“Dead o que?” Nunca vou me esquecer do quanto critiquei a Cris no dia que ela me explicou que deadline era o nome que os jornalistas davam para o prazo de entrega das reportagens. Eu, uma profissional da Saúde, julguei um absurdo eles utilizarem a palavra morte para um simples prazo. Lembro que falei que só podia ser coisa de jornalista mesmo: aquele povinho metido a besta, de All Star fedorento e franjas ridículas!

Há tempos desisti de freqüentar as festas dos amigos da Cris, como essa que a Majô arrumou o bofe. Tudo bem, Jotapê, antes que você fale que minha lista seria bem menor se não fossem essas festas e como eu fui cruel quando dispensei aquele fotógrafo SÓ porque ele considerou o número de pedaços de pizza que cada um comeu na hora de rachar a conta, quero lembrá-lo que isso faz parte de um passado negro e que agora visto com orgulho a minha camiseta: “Losers, não vou”.

Mas enfim, esse post na verdade é uma maneira de me redimir com a Cris, pois à medida que o dia que a Majô estipulou para eu escrever no blog ia chegando, eu, sem idéia nenhuma, fui me desesperando e enfim sentindo o peso do “dead” do tal prazo. A Majô sabe ser autoritária quando quer, caramba: ela mandou mensagens no MSN, torpedo, e-mail e scrap avisando: não esqueça que segunda-feira é o seu dia de atualizar o blog!

Domingo à tarde, eu num plantão de bosta, dando bronca em uma auxiliar que furou três vezes uma paciente idosa antes de achar a veia da velhinha. De repente, toca o bip de mensagem do meu celular. Corro imediatamente pra saber se é alguma novidade do Dr. Machado (ele ia dar plantão na policlínica que a Jú trabalha), e não, simplesmente é a mensagem da dona Marjorie. Bem ou mal, essa iluminista conseguiu: Ta aqui, Majô, enrolei direitinho, mas escrevi! Tudo bem que no dia seguinte, mas releva, vai, desde o princípio não curti o tal do deadline.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

sábado de aleluia

não posso me queixar desse último sábado. motivo 1 - aleluia! conheci um cara legal. motivo 2 - um cara legal que dá mais valor ao papo do que à bunda. motivo 3 - meu ex colaborou sem saber.

foi assim: a Cris, nossa amiga jornalista - que escolheu a profissão só para aparecer na TV mas ainda não conseguiu, conforme bem lembrou a Bia - me chamou para uma festinha. era aniversário de uma amiga de faculdade dela. então, já imagina, povinho descolado, falante, música boa, muita bebida e tal...

um cara lindo, alto e estiloso resolveu se aproximar e puxou um papinho de intelectual. pensamento 1: "ferrou! quanto tempo vou conseguir manter uma conversa com um jornalista?" ele contou que escrevia para um site de música, mas que também gostava de cinema e literatura... (ou era o contrário?) pensamento 2: "se o assunto for esse, não sobrevivo mais dois minutos!"

tentei caprichar nas respostas. contei que já tinha iluminado montagens de peças teatrais e shows. parece que esse papo interessou, mas chegou o momento fatal em que o assunto acabou. pensamento 3: "ou agarro agora, ou tudo está perdido"

até que meu falecido ex rogou por mim! a camiseta do paquera tinha uma estampa do Joy Division exatamente igual a uma que o Anderson tem, só muda a cor. Depois que notei esse precioso detalhe, tudo o que fiz foi repetir literalmente toda a opinião do meu ex que cansei de ouvir sobre bandas de rock. as mesmas que ele me obrigava a escutar repetidas vezes, até quando a gente transava (quer coisa pior que transar ouvindo Joy Division no repeat?) resultado: funcionou, ficamos e teve até troca de telefones.

resposta 1 - não, ainda não transamos e nem ouvimos Joy Division.
resposta 2 - eu sei. sou uma fraude, obrigada.
resposta 3 - tá, tá, ok. ele gostou foi do Anderson, mas quem beijou fui eu!