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sábado, 19 de julho de 2008

Blog ou amizade?

Faz uma semana que a Bia e a Majô decidiram me ignorar. Não sei se foi de propósito ou não, o fato é que desde que contei a elas do meu momento de fraqueza com Leandra as coisas não foram as mesmas. Eu conheço bem aquelas duas e sei que ambas estão putas comigo, a ponto de me ignorarem por um bom tempo.

E não deixo de dar razão a elas, já que nos últimos dois meses eu fiquei muito chato e quase um ermitão, isolado em casa e fazendo quase nada além de tocar e atualizar o blog. Foram elas que me deram a maior força, e ainda incentivaram o lance com a Cris, que também deve estar revoltada comigo.

Não sei nem se continuaremos a atualizar isso aqui. De certo modo, imaginei que o blog fortaleceria a nossa amizade, com cada um se intrometendo nas histórias do outro, contando a sua própria visão sobre algo ou alguém, protegidos no anonimato da internet e reagindo aos comentários de quem nos lesse sem preocupações com julgamentos. Protegidos, vírgula, porque, não sei como, pessoas próximas como a Leandra e o PH logo descobriram o nosso endereço.

Talvez por isso nenhuma delas tenha postado nada nesta semana. Ou talvez seja tudo paranóia minha. Deixei vários recados na caixa postal da Majô, que decidiu ignorá-los. Encontrei a Bia na terça-feira no hospital, mas ela estava superenrolada e não me deu atenção, graças ao monte de fedelhos que lota os inaladores nessa época do ano.

Para quem acompanha a minha saga, muita coisa aconteceu nesta semana: terminei de vez com Leandra (eu acho), fui convencido pelo PH (ou Pi eight como ele quer ser chamado agora) a montar uma nova banda (tá vendo, Majô!) e recebi uma proposta de emprego, que eu acho que devo a este blog, vejam só! Se este for o final, acho até que pode ser considerado feliz...

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Nocaute

Esse JP gosta de exagerar nos posts dele. O engraçado é que ele nem fala que, na verdade, estava era morrendo de medo da injeção. E todo mundo sabe que pra tomar injeção não é preciso mostrar a bunda toda, só o suficiente para higienizar o local e aplicar a medicação.

Pensando bem, a Majô é que está certa ao não se deixar envolver. Mas eu sei que ela também vai acabar se metendo em uma armadilha tão ruim ou até pior que a minha.

Imaginem só: terça-feira, véspera de feriado, André e eu de folga... tudo perfeito para uma escapadinha num motel... Se o idiota (pra não dizer outra coisa) não preferisse assistir a noite de boxe na ESPN.

"Eu não perco uma luta", ele diz, com um jeito de que está mais é fissurado no corpo dos lutadores. Afinal, que tipo de homem estende no próprio quarto um poster enorme do Mike Tyson?

Ai, JP, acho que vou querer te aplicar uma outra injeção, porque se depender do meu namorado...

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Dieta frustrante

Ando meio atrapalhada com prazos e datas. Estou atrasada para postar aqui (sorry, Majozinha) e acabei comemorando o dia dos namorados ontem: o André está de plantão essa noite e eu não consegui mudar de jeito nenhum o meu plantão de amanhã. É aquele esquema de lei de Murph, sabem? Mesmo que o mundo esteja repleto de encalhadas, justamente as duas enfermeiras que poderiam trocar o dia 12 comigo têm namorado. Enfim, comemoramos ontem mesmo. Até ai tudo bem.

Comprei um vestido super legal e mega caro numa loja lá no Cidade Jardim. Fiquei pensando que a própria Carrie do “Sex and the City” o usaria. É meio verde escuro, pra Majô é azul petróleo, mas tudo bem. Deixando todos os meus complexos de lado, acho que eu tava bem legal. Gostosa, sexy e charmosa.

Fomos a um restaurante de foundi lá no Morumbi. Bem romântico. Trocamos presentes. Dei a jaqueta e ganhei uma pulseira de ouro, tipo um braceletezinho, super linda. Algumas taças de vinho depois eu comecei a tentar excitar o cara, falar umas bobagens sensuais, fazer caras e bocas. Até que soltei aquela que os caras geralmente amam: revelei que estava sem calcinha. Alguns beijinhos depois (coisa discreta, afinal a gente tava num restaurante), coloquei a mão lá e para a minha surpresa: estava mole! Achei estranho, mas ignorei.

Na hora de ir embora, eu louca para seguir pro motel, o André vem com essa: Ah, amor, to tão cansado.... Me deixou em casa e pronto, fiquei a ver navios. Ao mesmo tempo que tenho certeza que ele é hetero, as vezes ocorrem umas coisas estranhas com ele, tipo essa aí de ontem. Será que ele tem outra? Será que é por que não come carne?

terça-feira, 3 de junho de 2008

Amigos ou inimigos, eis a questão

Amizade é uma coisa engraçada. E não estou me referindo a todas aquelas coisas meigas que vivem nos mandando em e-mails no PowerPoint, quero tratar do lado negro da amizade. Amigos podem ser ciumentos, possessivos e até invejosos. E o pior: amigos de verdade são sinceros, não têm papas na língua e nos dizem o que pensam, muitas vezes nos magoando mais que os próprios inimigos.

Tenho passado por isso ultimamente. A Majô vive cobrando a minha presença e nunca reconhece o esforço que faço pra dividir meu tempo entre três empregos, família, namorado e ela. E ao invés de aproveitar nossos momentos juntas, ela passa metade do tempo brigando comigo, cobrando minha presença e me criticando, seja por causa do meu relacionamento chiclete ou da minha franja “mullet”, ou sei lá como ela chamou meu novo corte de cabelo.

Com o Jotapê, tem sido a mesma coisa. Por mais que eu me esforce para apoiá-lo e consolá-lo, ele sempre vem com duas pedras na mão. Se falo bem da Leandra, sou desnaturada; se falo mal, ele vem com aquela história do “não era bem assim”. Se o chamo pra festinhas, ele diz que não tá preparado; se alugo uns filmes, reclama que não quer ser tratado como doente. Mas o pior de tudo é ele me agredir pra se defender, tentar comparar o meu relacionamento com o dele e colocar defeitos no André o tempo todo sem ao menos dar a chance de conhecê-lo melhor. Essas coisas machucam demais. Eu tento relevar, pensar que ele não está bem, mas não estou agüentando mais.

Uma coisa é ouvir seus amigos dizerem duras verdades ou simplesmente o que pensam ser verdade na sua cara. Isso é foda, mas está no pacote da amizade. No entanto, o que tem mais me chateado ultimamente é eles exporem suas coisas, seus defeitos e traumas aqui no blog, pra todo mundo ver. Esses dois precisam entender que cada um tem seu tempo, nem tudo é público e tem várias maneiras de ser corajoso. Um conselho que eu sigo sempre é: nem tudo que é bom para mim é bom para os outros.

terça-feira, 27 de maio de 2008

É apenas uma data comercial

Sim, estou apaixonada. Sim, estou feliz como nunca estive. E daí? Isso não me torna culpada pelo fato de meus amigos estarem na merda e também não me faz trepudiar sobre a desgraça alheia. Fiquei triste pelo coração partido do Jotapê, mesmo que venha no reboque de anos de um namoro “nada a ver”. Também odeio o fato da Majô não ter desencanado de um peão que mal fala português e não está nem ai pra ela. Mas não consigo impedir que eles vejam meus olhos brilhando. Eu gostaria, mas não consigo. Há tempos parei de contar meu “bla bla bla romântico” (como o Jotapê descreveu) porque sei que é ruim ficar ouvindo historinhas alegres de casaizinhos apaixonados quando você está na pior. Já passei por isso. Outra coisa que eu gostaria de banir do mundo pra poupar meus amigos são essas propagandas referentes a 12 de junho. Outro dia uma amiga minha, solteira obviamente, me contou que mandou a operadora de telemarketing da Vivo à merda quando a mulher começou a falar que de um excelente plano de celular chamado “Dia dos Namorados”. No entanto, ao mesmo tempo, não sei como lidar com o fato da Majô achar o presente do André no meu carro, ou com o Jotapê escutando meu celular apitar com mensagens do meu namorado enquanto a gente toma um café na cantina do hospital.

Mas enfim, apesar de eu estar amando e viver sonhando com aqueles olhinhos puxados do André, preciso dizer que nem tudo tem sido um mar de rosas. Sábado, o encontro com a dona Irene, a mãe dele, foi um total desastre. Resumindo: ela é uma grã fina metida à besta. Olha o elogio escroto que ela me fez, se é que isso é um elogio: “Essa sua calça até que é bonita apesar de eu não conhecer a marca, embora destaque um pouquinho os seus quadris”. Vaca. Sou mulher de verdade, trabalho pra cacete e não tenho tempo nem duas empregadas pra ficar fazendo academia o dia inteiro e colocando botox. Ah, a boca dela, a propósito, ta pior que a da Marta Suplicy. Ta praticamente a Marge Simpson.

sábado, 24 de maio de 2008

Down em Mim - parte II

...Pimenta nos olhos dos outros é refresco. Não é isso que diz aquele velho deitado, Bia? Quando a Majô decidiu criar o Tomebota, nossa amiga enfermeira era uma das mais animadas. Claro, ela não tinha nada a perder. Mas agora que se diz apaixonada (uma paixão platônica, na minha opinião) pelo médico mais manjado do hospital, ela reluta em escancarar aqui suas historinhas...

...Enquanto isso, a Majô me chama de bolha. Vejam só, logo a Majô, que se diz tão "pra frentex" e descolada, acaba sempre perdendo a cabeça (e outras coisas também) por tipos bem piores que bolhas...

...Por que estou agredindo as minhas amigas? Não sei, acho que foi uma forma de dizer que todos temos as nossas fraquezas. Foi assim com Leandra. A culpa foi minha, eu admito. Realmente, não tive noção do ridículo. Tudo bem, pode atirar a primeira pedra quem tiver coragem...

...Não, eu não tive culpa por não perceber que Leandra havia me chifrado com o baterista da minha quase famosa banda da faculdade. Nem mesmo quando ela confessou, naquela mesma fatídica noite de sexta-feira, nua na minha frente, que além dele havia dado para outro cara, e há bem menos tempo...

- O quê? O Edmilson? Puta que pariu, aquele idiota do cursinho pro exame da ordem?

- Eu sei, dessa eu me arrependo até hoje. E o pior é que ele passou e eu não...

- Você não entende o quanto você foi filha da puta, Leandra?

- Olha, eu sempre imaginei que você tivesse os seus casos por aí. Eu nunca quis saber de nada, e achei que você pensasse o mesmo. Além do mais, o nosso namoro estava gelado há muito tempo, você escreveu isso até naquele seu blog ridículo.

- Tem razão. A culpa não é sua. Talvez a gente possa recomeçar tudo e...

- Não, João Pedro. Isso seria humilhação demais até pra você, não acha?

- Eu não me importo com o que os outros pensam.

- Mas eu me importo com o que eu penso. Você é um cara legal, bonito, talentoso, mas se tornou uma outra pessoa de uns tempos pra cá. Acho que a culpa foi minha mesmo, mas eu sou assim. Quero um cara certinho, com um emprego fixo, plano de saúde, cesta básica...

- E eu não sou esse cara?

- Não, eu quis te transformar nesse cara, o que não foi certo, eu sei. Só não venha me culpar por ter transado com outros caras durante o nosso namoro. Eu pensei que a gente fosse se casar, ter filhos, eu precisava ter outras experiências.

- Sim, mas agora que você já teve essas experiências, nós podemos ficar juntos, de verdade.

- Não, queridão. Eu não quero mais, não entendeu? Um dia você vai me agradecer por isso.

Pois bem, não quero esperar nem mais um minuto, porque isso está entupido na minha garganta: obrigado, Leandra.

sábado, 17 de maio de 2008

Down em min - parte I

Sábado, 17 de maio, 9h30 da manhã.

O telefone toca:

- Onde você está? - Era a Majô.

- Como assim, onde eu estou? Não sabe pra onde ligou?

- Quero dizer, cadê o seu post no blog?

- Ah, é isso... Não estou a fim de escrever nada.

- Sai dessa, amigo! Vai ficar assim, sem fazer nada, até quando?

- Eu estou bem, Marjorita. Trabalhando, dormindo, comendo, curtindo a minha vidinha de solteiro...

- Acorda, Jotapê! Você não tem vidinha de solteiro. Nem de solteiro nem de namorado da Leandra. Acabou!

Ela tinha razão. Tudo o que eu fazia desde a sexta-feira passada era esperar o chamado do telefone. E não exatamente por uma ligação da Majô...

 

Sexta-feira, 9 de maio, 9h30 da noite

Alguém bate à porta:

- Oi, queridão - diz a voz de Leandra, do outro lado.

Foi PH, meu irmão, quem atendeu. Ela o cumprimentou com falsidade (Leandra odeia o PH) e tratou logo de me puxar para o quarto. Leandra e eu quase não nos encontramos nos últimos tempos, e recentemente ela parecia interessada apenas em transar e mais nada.

Mas do que eu estava reclamando, afinal? Esse não era o sonho de qualquer homem? Provavelmente, sim, se eu não a conhecesse o suficiente para saber que havia algo errado. Ainda mais depois dos mais de quatro meses que ela me deixou na saudade.

Mal fechei a porta do quarto e ela começou a tirar a roupa. Depois veio pra cima de mim. Estava um pouco acima do peso, a Leandra, mas nada que me fizesse perder o interesse por ela ou mesmo me deixar a meio mastro ou coisa do tipo.

- Espere aí, não vamos começar com isso de novo. Não sem antes a gente conversar a sério. O que há de errado? Você não é assim - eu disse.

- Nem você. Vai negar fogo, agora?

- Não é isso, você sabe.

- Vamos lá, João Pedro. Desembucha! O que você quer que eu diga?

- Você sabe. Eu sei que está me escondendo algo...

- Ora, deixe de ser ridículo! Quer que eu confesse o quê? Que dei uns beijos no Gaguinho na época da banda? Todo mundo sabe disso, inclusive as suas amiginhas "Tomebota"!

- C-Como? - gaguejei, involuntariamente. - Você ficou com aquele baterista idiota enquanto a gente namorava?

- João Pedro, eu namoro com você desde que eu me conheço por gente. E eu não fiquei com ele, não. Eu DEI pra ele! Exatamente o que estou tentando fazer agora com você, aqui, pelada! Será que dá pra esquecer isso de uma vez e tirar essa roupa também?

 

Sabado, dia 17 de maio, fim de tarde.

Tudo bem, confissões demais pra um dia só. Querem saber, até agora não doeu relembrar o que aconteceu. Será que estou curado?

sábado, 10 de maio de 2008

E eu não sei parar...

É isso aí, como diriam Ana Carolina e Seu Jorge e a canção do filme Closer. Leandra e eu terminamos o namoro. Quer dizer, tecnicamente foi ela quem terminou, no final. Majô e Bia já sabem da história, pelo menos o que consegui contar. Não sei se terei coragem de reproduzir aqui tudo o que aconteceu. Eu sei, quando começamos este blog sabia que o trato era escancarar as nossas intimidades. Mas acho que tudo tem limite. Não sei até que ponto consigo rir de mim mesmo. Preciso de pelo menos mais uma semana para pôr a cabeça no lugar, sem trocadilho.

sábado, 3 de maio de 2008

Volta, Bia

- Jotapê, seu filho de uma puta!

- Espera, o que foi?

- Eu vou te matar, seu filho da puta!

- Olha, assim você me ofende...

- Quem te autorizou a escrever aquelas coisas sobre o André no blog, seu filho da puta?!

- Ah, é isso?

- Vai tomar no seu cu! Você e aquela puta da Marjorie, que teve essa idéia idiota de Tomebota!

- Espera aí, mais um palavrão e o resto da ala dos cardíacos vai embora...

- Ninguém tem nada a ver com a minha vida. E se ele descobre essa droga?

- Não sabia que você tinha se ofendido. Até postou um comentário...

- Chega, estou fora dessa merda!

Recapitulando...

Está certo, eu deveria ter avisado a Bia que iria escrever sobre a minha consulta com o dr. Machado, o pretendente dela. Eu bem que tentei, mas não consegui falar com ela no celular nem nos encontramos antes da minha vez de atualizar o blog.

- Chega digo eu! O trato era justamente que nós falássemos sem pudores sobre os nossos relacionamentos, não? E até agora só eu que me fodi nessa história. Ou quer que eu te relembre da greve de sexo e da pulga atrás da orelha que estou com a Leandra?

- Atrás da orelha? Você não quer dizer na testa, não?

- Você sabe ser engraçada quando lhe convém...

- Não estou sendo engraçada. Jotapê, deixa de ser idiota e abre os olhos, a Leandra já tentou confessar de todos os modos que te botou um par de chifres. É só você que não quer ver! Aliás, bem típico...

- Espere aí! Você por acaso sabe de algo que eu não sei?

- Eu? Olha aqui... não vem com essa, não! Já está querendo mudar de assunto, e eu não tenho nada a ver com isso!

Não teve jeito de arrancar nada dela. Nem de convencê-la a voltar para o blog. Pois bem, Bianca, este espaço está aberto para você. Se tiver algo a dizer, e você sabe que tem, acho bom voltar a escrever, e logo!

quarta-feira, 23 de abril de 2008

tpm

toda vez que minha mãe me chama de dramática rindo na minha cara sinto que ela na verdade pensa que eu sou uma palhaça de circo
digo (dentro da minha cabeça)
:
mamãe, pega essas tuas longas unhas arredondadas e vai lavar as minhas calcinhas.
vc vai sentir o cheiro de fêmea brava no cio!
as minhas unhas são quadradas pq tudo nessa vida tem ponta onde a gente se enrosca.
e se arranha
nada é fácil, nada é redondo e é por isso q eu faço drama, muito drama mesmo!!!

Estou puta porque:

1) Soube há poucos minutos por e-mail que não passei na seleção da bolsa para o curso Master in Lighting Design (MDL), na Itália, pro qual eu vinha me preparando arduamente.

2) Descobri que a Bia PERDEU o meu DVD da Ana Carolina e Seu Jorge porque emprestou sem eu saber para o Jotapê, que deixou na casa da Leandra! O mesmo q foi motivo da maior briga na hora da "partilha de bens" quando eu e Anderson terminamos.

3) Minha chefe efetivou uma estagiária maldita e folgada q não sabe fazer nada sozinha e ainda fica pendurada no meu ramal fofocando com as amigas!

4) Após me ligar várias vezes neste fim de semana me chamando pra sair e só ouvindo desculpas, o intelectualóide meio-mastro ligou mais uma vez para para "terminar" (o q ele nem começou). Disse que "não estava pronto para um novo compromisso". haha tá bom, vai, isso até foi divertido.

sábado, 12 de abril de 2008

Sem parar

Eu já havia preparado um rascunho de testamento, imaginando a reação de Leandra ao descobrir que escancarava aqui um pouco da nossa intimidade, ou a falta dela. Já havia até designado a Majô para cobrir os custos do meu funeral. Afinal, foi ela a mentora intelectual (ou intelectualóide?) deste nosso blog.

Por isso, fiquei surpreso ao me deparar com uma Leandra não somente dócil como amorosa, completamente diferente da pessoa que fingia ignorar meus apelos mais primitivos há mais de três meses.

- Você não ficou chateada? - perguntei, ainda dando corda e esperando as pedradas assim que ela baixou em casa.

- Claro que não, João Pedro. Todos nós temos os nossos pecadinhos, certo? - ela disse, um tanto maliciosa, mas sem maldade, se é que me entendem.

Não, vocês não entendem. Porque esse é exatamente o sinal que ela costuma me dar quando deseja que eu avance o sinal. E mesmo que eu não tivesse entendido, Leandra fez questão de se fazer mais clara. Foi logo se livrando das roupas e se jogando em cima da cama desfeita, como sempre.

- Você vai contar o que aconteceu hoje com a gente, no seu blog? - ela perguntou, enquanto fazíamos amor. Leandra costumava falava sem parar durante a transa, dos problemas no trabalho ao capítulo da novela. Eu só sabia quando ela atingia o orgasmo por conta de uma leve mudança no tom de voz, que ficava mais aguda.

- Ora, não sei. Acho que não. O que você acha?

- João Pedro, você não é tão certinho assim. Eu li os seus textos. Os seus e os das suas amigas. Vai me dizer que, nesses oito anos, você nunca deu uma puladinha de cerca?

- Não, nunca! Nem com elas nem com ninguém - respondi, nervoso e quase ficando a meio-mastro, como o pretendente da Majô. - Você estave sempre comigo, desde os tempos da minha banda, depois na faculdade, e agora. Nem que eu quisesse!

- Desculpa, esquece o que eu disse, tá? - ela murmurou.

- Ora, por que esse assunto agora? Minhas amigas tinham razão por desconfiar de você? Você quer me dizer algo? Alguma vez nesses nossos oito anos você já me traiu e...

- NÃO PÁRA, JOÃO PEDRO!

- O quê?

- NÃO PÁRA!!! NÃO PÁRAAAAAAAAAAAA...

Bem, eu não parei, mas precisei interromper o interrogatório sem conseguir nenhuma resposta. Puxa, foi nossa melhor performance em anos. Mas não posso afirmar se, da parte dela, foi tudo real ou não passou de fingimento. Alguém aí pode me dizer que parte da história eu perdi?