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sábado, 7 de junho de 2008

Alien x Predador

Eu realmente não sei como funciona essa história de relação com ex. Talvez agora que tenho uma ex eu venha a descobrir, mas não quero mais falar de ex, pelo menos não da minha. E como também não posso falar da Bia e do via..., quer dizer, namorado dela, só me resta contar um pouco sobre o meu irmão mais velho.

Sim, pode não parecer, mas o PH tem três anos a mais do que eu. Devo admitir que fiquei puto quando ele bateu na porta de casa com as malas na mão, nove meses atrás, dizendo que precisava de um lugar para ficar depois de levar um pé na bunda da garota com quem morava.

Mas agora, passada a dura fase de adaptação, posso dizer que até gosto da companhia dele, a não ser quando ele volta a se comportar como um moleque de 12 anos, o que acontece quase sempre.

- Gostou do papel de idiota que você fez com a Majô? - perguntei a ele.

- Você não entende nada sobre mulheres - ele disse. - A Maggi e eu sempre tivemos esse lance violento.

- Vocês namoraram na adolescência, pelo menos na adolescência dela! E dessa época ela guarda muito mais lembranças do filho do caseiro do que de você.

- E a Leandra, guarda mais lembranças de quem?

Quem me conhece sabe que sou um cara sossegado, mas não gosto que pisem no meu calo. E a provocação do PH foi um verdadeiro atropelamento.

Por isso, nem me surpreendi ao me pegar atirado no pescoço dele, no chão de sala, num golpe mais eficiente do que qualquer um dos que ele aprendeu agarrando outros homens na aula de jiu-jitsu.

Enquanto ainda lhe restava um pouco de ar, ele pediu desculpas. Depois de soltá-lo, eu fiz o mesmo. Ficamos nos encarando por um bom tempo calados, até quebrarmos o cluma com uma grande gargalhada.

Não sei porque ele riu, mas eu pensava em tudo o que passamos juntos nesses 24 anos de convivência. E concluí que o PH, assim como eu, é apenas um cara incompreendido. Se não ajudarmos um ao outro, quem é que vai?

sábado, 17 de maio de 2008

Down em min - parte I

Sábado, 17 de maio, 9h30 da manhã.

O telefone toca:

- Onde você está? - Era a Majô.

- Como assim, onde eu estou? Não sabe pra onde ligou?

- Quero dizer, cadê o seu post no blog?

- Ah, é isso... Não estou a fim de escrever nada.

- Sai dessa, amigo! Vai ficar assim, sem fazer nada, até quando?

- Eu estou bem, Marjorita. Trabalhando, dormindo, comendo, curtindo a minha vidinha de solteiro...

- Acorda, Jotapê! Você não tem vidinha de solteiro. Nem de solteiro nem de namorado da Leandra. Acabou!

Ela tinha razão. Tudo o que eu fazia desde a sexta-feira passada era esperar o chamado do telefone. E não exatamente por uma ligação da Majô...

 

Sexta-feira, 9 de maio, 9h30 da noite

Alguém bate à porta:

- Oi, queridão - diz a voz de Leandra, do outro lado.

Foi PH, meu irmão, quem atendeu. Ela o cumprimentou com falsidade (Leandra odeia o PH) e tratou logo de me puxar para o quarto. Leandra e eu quase não nos encontramos nos últimos tempos, e recentemente ela parecia interessada apenas em transar e mais nada.

Mas do que eu estava reclamando, afinal? Esse não era o sonho de qualquer homem? Provavelmente, sim, se eu não a conhecesse o suficiente para saber que havia algo errado. Ainda mais depois dos mais de quatro meses que ela me deixou na saudade.

Mal fechei a porta do quarto e ela começou a tirar a roupa. Depois veio pra cima de mim. Estava um pouco acima do peso, a Leandra, mas nada que me fizesse perder o interesse por ela ou mesmo me deixar a meio mastro ou coisa do tipo.

- Espere aí, não vamos começar com isso de novo. Não sem antes a gente conversar a sério. O que há de errado? Você não é assim - eu disse.

- Nem você. Vai negar fogo, agora?

- Não é isso, você sabe.

- Vamos lá, João Pedro. Desembucha! O que você quer que eu diga?

- Você sabe. Eu sei que está me escondendo algo...

- Ora, deixe de ser ridículo! Quer que eu confesse o quê? Que dei uns beijos no Gaguinho na época da banda? Todo mundo sabe disso, inclusive as suas amiginhas "Tomebota"!

- C-Como? - gaguejei, involuntariamente. - Você ficou com aquele baterista idiota enquanto a gente namorava?

- João Pedro, eu namoro com você desde que eu me conheço por gente. E eu não fiquei com ele, não. Eu DEI pra ele! Exatamente o que estou tentando fazer agora com você, aqui, pelada! Será que dá pra esquecer isso de uma vez e tirar essa roupa também?

 

Sabado, dia 17 de maio, fim de tarde.

Tudo bem, confissões demais pra um dia só. Querem saber, até agora não doeu relembrar o que aconteceu. Será que estou curado?