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quinta-feira, 24 de julho de 2008

Os dedinhos

O JP realmente acha que ninguém tem mais o que fazer além de lamentar das burradas que ele faz. Sim, a Majô e eu ficamos putas com vc. E acho que não só a gente. Ninguém tem mais paciência contigo, não percebeu? Só o teu irmãozinho encostado que comenta os teus posts.

Mas talvez eu não tivesse que te recriminar, afinal todos nós estamos sujeitos a recaídas. Acho que fiquei mais chateada de saber que não vamos mais trabalhar no mesmo lugar, mas sei que vai ser bom pra vc.

Dito isso, não podia deixar esse blog acabar com aquele finalzinho meia-boca felizinho do JP. As coisas não vão nada bem pra mim, e ficaram piores depois que ele saiu do hospital. André e eu continuamos no mesmo lenga-lenga sem emoção. Na cama, então, estamos mais parados do que nunca. Como se não bastasse, ainda tenho que suportar a mãe dele, que chegou ao absurdo de se convidar pra ir ao cinema com a gente outro dia, pode?

Ontem à noite, eu tive um um papo sério com a Majô. Ela me convenceu que só tem um jeito de provar se o André é gay ou não: acertando uma dedada nele. De começo eu achei a idéia absurda, mas acho que chegou a hora de encarar as coisas de frente. Ou de trás, sei lá...

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Nocaute

Esse JP gosta de exagerar nos posts dele. O engraçado é que ele nem fala que, na verdade, estava era morrendo de medo da injeção. E todo mundo sabe que pra tomar injeção não é preciso mostrar a bunda toda, só o suficiente para higienizar o local e aplicar a medicação.

Pensando bem, a Majô é que está certa ao não se deixar envolver. Mas eu sei que ela também vai acabar se metendo em uma armadilha tão ruim ou até pior que a minha.

Imaginem só: terça-feira, véspera de feriado, André e eu de folga... tudo perfeito para uma escapadinha num motel... Se o idiota (pra não dizer outra coisa) não preferisse assistir a noite de boxe na ESPN.

"Eu não perco uma luta", ele diz, com um jeito de que está mais é fissurado no corpo dos lutadores. Afinal, que tipo de homem estende no próprio quarto um poster enorme do Mike Tyson?

Ai, JP, acho que vou querer te aplicar uma outra injeção, porque se depender do meu namorado...

terça-feira, 17 de junho de 2008

Apatia

To chateada. Se pudesse, ficaria só na minha caminha vendo TV. Mas não to chorosa, irritada ou puta da vida. A maior prova disso é que o Jotapê não ficou com um olho roxo, com o braço quebrado ou estéril depois daquele post. Eu dei o anel e ele pegou o braço todo, escrachando minha vida, minha intimidade (ou a falta dela) aqui no blog.

Mas querem saber? Que se foda! Não to nem ai. Por pouco o André não descobriu o blog outro dia, quando a minha amiga Jú soltou um comentário a respeito de um texto daqui na frente dele enquanto a gente tomava um lanche na cantina do hospital. A sorte (ou será azar?) foi que ele tava tão empolgado elogiando os dotes culinários da mamãezinha dele que nem prestou atenção. As vezes, eu acho que seria melhor que ele lesse tudo isso de uma vez, já que não tenho coragem de abrir o jogo sobre nossos problemas.

Nem tudo é perfeito. Na verdade, sei que é tolice pensar que as coisas seriam perfeitas, mas enfim, sou uma idiota sonhadora. Caiu a ficha de que um perfil de homem ideal (bonito, bem sucedido, gentil) pode ser uma grande arapuca, pois a gente não se prepara pelo que vem pela frente: no meu caso, uma sogra pentelhas e o pior, uma vida sexual morna.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Dieta frustrante

Ando meio atrapalhada com prazos e datas. Estou atrasada para postar aqui (sorry, Majozinha) e acabei comemorando o dia dos namorados ontem: o André está de plantão essa noite e eu não consegui mudar de jeito nenhum o meu plantão de amanhã. É aquele esquema de lei de Murph, sabem? Mesmo que o mundo esteja repleto de encalhadas, justamente as duas enfermeiras que poderiam trocar o dia 12 comigo têm namorado. Enfim, comemoramos ontem mesmo. Até ai tudo bem.

Comprei um vestido super legal e mega caro numa loja lá no Cidade Jardim. Fiquei pensando que a própria Carrie do “Sex and the City” o usaria. É meio verde escuro, pra Majô é azul petróleo, mas tudo bem. Deixando todos os meus complexos de lado, acho que eu tava bem legal. Gostosa, sexy e charmosa.

Fomos a um restaurante de foundi lá no Morumbi. Bem romântico. Trocamos presentes. Dei a jaqueta e ganhei uma pulseira de ouro, tipo um braceletezinho, super linda. Algumas taças de vinho depois eu comecei a tentar excitar o cara, falar umas bobagens sensuais, fazer caras e bocas. Até que soltei aquela que os caras geralmente amam: revelei que estava sem calcinha. Alguns beijinhos depois (coisa discreta, afinal a gente tava num restaurante), coloquei a mão lá e para a minha surpresa: estava mole! Achei estranho, mas ignorei.

Na hora de ir embora, eu louca para seguir pro motel, o André vem com essa: Ah, amor, to tão cansado.... Me deixou em casa e pronto, fiquei a ver navios. Ao mesmo tempo que tenho certeza que ele é hetero, as vezes ocorrem umas coisas estranhas com ele, tipo essa aí de ontem. Será que ele tem outra? Será que é por que não come carne?

terça-feira, 3 de junho de 2008

Amigos ou inimigos, eis a questão

Amizade é uma coisa engraçada. E não estou me referindo a todas aquelas coisas meigas que vivem nos mandando em e-mails no PowerPoint, quero tratar do lado negro da amizade. Amigos podem ser ciumentos, possessivos e até invejosos. E o pior: amigos de verdade são sinceros, não têm papas na língua e nos dizem o que pensam, muitas vezes nos magoando mais que os próprios inimigos.

Tenho passado por isso ultimamente. A Majô vive cobrando a minha presença e nunca reconhece o esforço que faço pra dividir meu tempo entre três empregos, família, namorado e ela. E ao invés de aproveitar nossos momentos juntas, ela passa metade do tempo brigando comigo, cobrando minha presença e me criticando, seja por causa do meu relacionamento chiclete ou da minha franja “mullet”, ou sei lá como ela chamou meu novo corte de cabelo.

Com o Jotapê, tem sido a mesma coisa. Por mais que eu me esforce para apoiá-lo e consolá-lo, ele sempre vem com duas pedras na mão. Se falo bem da Leandra, sou desnaturada; se falo mal, ele vem com aquela história do “não era bem assim”. Se o chamo pra festinhas, ele diz que não tá preparado; se alugo uns filmes, reclama que não quer ser tratado como doente. Mas o pior de tudo é ele me agredir pra se defender, tentar comparar o meu relacionamento com o dele e colocar defeitos no André o tempo todo sem ao menos dar a chance de conhecê-lo melhor. Essas coisas machucam demais. Eu tento relevar, pensar que ele não está bem, mas não estou agüentando mais.

Uma coisa é ouvir seus amigos dizerem duras verdades ou simplesmente o que pensam ser verdade na sua cara. Isso é foda, mas está no pacote da amizade. No entanto, o que tem mais me chateado ultimamente é eles exporem suas coisas, seus defeitos e traumas aqui no blog, pra todo mundo ver. Esses dois precisam entender que cada um tem seu tempo, nem tudo é público e tem várias maneiras de ser corajoso. Um conselho que eu sigo sempre é: nem tudo que é bom para mim é bom para os outros.

terça-feira, 27 de maio de 2008

É apenas uma data comercial

Sim, estou apaixonada. Sim, estou feliz como nunca estive. E daí? Isso não me torna culpada pelo fato de meus amigos estarem na merda e também não me faz trepudiar sobre a desgraça alheia. Fiquei triste pelo coração partido do Jotapê, mesmo que venha no reboque de anos de um namoro “nada a ver”. Também odeio o fato da Majô não ter desencanado de um peão que mal fala português e não está nem ai pra ela. Mas não consigo impedir que eles vejam meus olhos brilhando. Eu gostaria, mas não consigo. Há tempos parei de contar meu “bla bla bla romântico” (como o Jotapê descreveu) porque sei que é ruim ficar ouvindo historinhas alegres de casaizinhos apaixonados quando você está na pior. Já passei por isso. Outra coisa que eu gostaria de banir do mundo pra poupar meus amigos são essas propagandas referentes a 12 de junho. Outro dia uma amiga minha, solteira obviamente, me contou que mandou a operadora de telemarketing da Vivo à merda quando a mulher começou a falar que de um excelente plano de celular chamado “Dia dos Namorados”. No entanto, ao mesmo tempo, não sei como lidar com o fato da Majô achar o presente do André no meu carro, ou com o Jotapê escutando meu celular apitar com mensagens do meu namorado enquanto a gente toma um café na cantina do hospital.

Mas enfim, apesar de eu estar amando e viver sonhando com aqueles olhinhos puxados do André, preciso dizer que nem tudo tem sido um mar de rosas. Sábado, o encontro com a dona Irene, a mãe dele, foi um total desastre. Resumindo: ela é uma grã fina metida à besta. Olha o elogio escroto que ela me fez, se é que isso é um elogio: “Essa sua calça até que é bonita apesar de eu não conhecer a marca, embora destaque um pouquinho os seus quadris”. Vaca. Sou mulher de verdade, trabalho pra cacete e não tenho tempo nem duas empregadas pra ficar fazendo academia o dia inteiro e colocando botox. Ah, a boca dela, a propósito, ta pior que a da Marta Suplicy. Ta praticamente a Marge Simpson.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Entre a felicidade e o desespero

Surtei. Admito que surtei. A garota solteira de 28 anos que nunca, nunquinha, tenha surtado pelo mesmo motivo que eu, pode atirar a primeira pedra. E não venham com essa história de “essa tal de liberdade” porque ninguém vive em êxtase sete dias por semana.

Surtei, caros amigos, porque tive medo que a minha felicidade terminasse. Tive não, tenho medo que o André descubra esse blog, minhas inseguranças, meus defeitos, minhas cagadas (e a dos meus amigos), e a nossa história termine por aqui. Faz tempo que não me sinto tão feliz como nos últimos dias e se não escrevi aqui na semana passada, não foi porque estava trabalhando ou puta com o JP, foi porque estava em outra dimensão, onde o amor vive no ar.

Resumindo a história: acumulei alguns plantões nas duas últimas semanas para conseguir folgar no feriadão de 1º de maio e poder passar três dias em Campos do Jordão com o André.

Depois daquele almoço meio estabanado e da seqüência de desencontros, as coisas começaram a entrar em sintonia entre a gente. Se eu entendesse de astrologia diria que nossas luas se cruzaram em Vênus ou alguma bosta do gênero, mas enfim, nossos plantões começaram a bater e o clima a esquentar. Saímos numa quarta e rolou o primeiro beijo na hora da despedida. Saímos outras quatro vezes (contando um almoço em um japa). Daí então veio o convite pra viagem, acho que ele sacou que eu era um tanto regulada e quis dar o cheque-mate. Funcionou. No friozinho de Campos, depois de duas garrafas de vinho, não resisti e liberei geral.

Tudo bem, estou apaixonada. Ele foi meigo demais. Choveu na quinta e na sexta e a gente ficou direto no chalé, assistindo aos DVDs que levamos, jogando buraco, comendo e vocês podem imaginar o resto. No sábado, nosso último dia lá, a chuva deu uma trégua e passeamos pela cidade. Aquelas coisas de sempre, comprar malhas, andar no teleférico e aproveitei pra provar um foundie de chocolate individual, custa só R$ 12 e você escolhe duas frutas para acompanhar. Uma delícia, como tudo no feriadão, ou quase tudo.

Um pouco antes de vir embora, sei lá, comecei a achar que estava tudo perfeito demais pra ser verdade e que aquela alegria ia acabar logo. Fiquei imaginando o André não me ligando mais, não respondendo os meus telefonemas e simplesmente desaparecendo. Fiquei quieta e o André começou a insistir naquela perguntinha mala “O que é que você tem?”. Até eu responder que estava com cólica (impressionante como os caras sempre acreditam nessa). Daí eu lembrei do tomebota, do post do JP questionando a sexualidade do André e dele me falando de como valoriza a sinceridade numa relação... Paramos no Frango Assado da Carvalho Pinto. Do banheiro, liguei para o JP e descarreguei todo o meu medo. Ao invés de me acalmar, ele ficou tocando o terror, dizendo que eu estava gritando e que o hospital todo ia ouvir – só pra se fazer de coitadinho e lembrar que estava trabalhando num sábado (coisa que os almofadinhas do administrativo fazem uma vez a cada século). Enfim, e meio-hora depois escreveu tudo no blog.

Foi isso que aconteceu. Não quero abandonar o blog, não estou mais tão surtada, mas continuo com medo. Preciso contar sobre o tomebota pro André e não sei como. A Majô acha que to fazendo tempestade em copo d’água e que perto de ser “comedor de alface” isso aqui é fichinha. Talvez eu até esteja exagerando, mas entendam, não é todo dia que a felicidade bate a nossa porta e a gente encontra um cara legal. E se o ortopedista partir meu coração? Quem vai consertar?

sábado, 3 de maio de 2008

Volta, Bia

- Jotapê, seu filho de uma puta!

- Espera, o que foi?

- Eu vou te matar, seu filho da puta!

- Olha, assim você me ofende...

- Quem te autorizou a escrever aquelas coisas sobre o André no blog, seu filho da puta?!

- Ah, é isso?

- Vai tomar no seu cu! Você e aquela puta da Marjorie, que teve essa idéia idiota de Tomebota!

- Espera aí, mais um palavrão e o resto da ala dos cardíacos vai embora...

- Ninguém tem nada a ver com a minha vida. E se ele descobre essa droga?

- Não sabia que você tinha se ofendido. Até postou um comentário...

- Chega, estou fora dessa merda!

Recapitulando...

Está certo, eu deveria ter avisado a Bia que iria escrever sobre a minha consulta com o dr. Machado, o pretendente dela. Eu bem que tentei, mas não consegui falar com ela no celular nem nos encontramos antes da minha vez de atualizar o blog.

- Chega digo eu! O trato era justamente que nós falássemos sem pudores sobre os nossos relacionamentos, não? E até agora só eu que me fodi nessa história. Ou quer que eu te relembre da greve de sexo e da pulga atrás da orelha que estou com a Leandra?

- Atrás da orelha? Você não quer dizer na testa, não?

- Você sabe ser engraçada quando lhe convém...

- Não estou sendo engraçada. Jotapê, deixa de ser idiota e abre os olhos, a Leandra já tentou confessar de todos os modos que te botou um par de chifres. É só você que não quer ver! Aliás, bem típico...

- Espere aí! Você por acaso sabe de algo que eu não sei?

- Eu? Olha aqui... não vem com essa, não! Já está querendo mudar de assunto, e eu não tenho nada a ver com isso!

Não teve jeito de arrancar nada dela. Nem de convencê-la a voltar para o blog. Pois bem, Bianca, este espaço está aberto para você. Se tiver algo a dizer, e você sabe que tem, acho bom voltar a escrever, e logo!

sábado, 26 de abril de 2008

O médico e monstro

É estranho trabalhar em um hospital sem ser médico ou enfermeiro. Parece que ninguém se dá conta de que aquilo é como uma empresa qualquer, tem contas para pagar, um estoque para controlar, um inacreditável esquema de logística...

Mas deixa pra lá. Já me cansei e tenho certeza de que já cansei a paciência de todos ao meu redor com essa conversa furada. É que não consigo me acostumar a passar por um daqueles corredores e ser confundido com um médico. Se bem que, no começo, me sentia até honrado ao ver aqueles rostos doentes implorando pelo meu diagnóstico.

Muito bem, depois de duas semanas com uma gripe forte, a mesma que trouxe metade da cidade ao hospital, decidir descer e fazer uma consulta com o médico de plantão. Até imaginei encontrar a Bia pelos corredores, mas aquela hora ela devia estar em outro plantão ou de folga, é impossível acompanhar a rotina dela.

Pelo contrário, para a minha surpresa o médico do horário era ele: Dr. André Machado. Engraçado, ele não tem cara de Machado, está mais para André mesmo. Quero dizer, ele faz bem o tipo da maioria dos residentes: cara de moleque cheio da grana que está cumprindo a pena necessária para válidar o diploma e obter um mínimo de conhecimento antes de abrir o próprio consultório e atender apenas a clientes de (bons) convênios.

Sem me identificar, quer dizer, sem dizer que era amigo da enfermeira Bianca, contei a ele o meu caso. Como ele sabia que eu era funcionário do hospital, creio que consegui uma atenção maior do que a normal. De fato, ele foi muito gentil desde o começo.

- Tudo bem, suba ali na maca e tire a camisa - ele disse.

Até então, imaginei que tudo se tratava do procedimento clínico convencional. Até ele fazer um comentário que me deixou, literalmente, com o cabelo em pé:

- Puxa, quantos pêlos no tórax! Sabia que o meu peito é lisinho?

Ora, que diabos era isso? Creio que essa seria uma péssima cantada mesmo se eu fosse fosse gay.

- A mulhereda costuma gostar - falei, tentando descontrair e deixar claro as minhas preferências, mas já tenso.

Depois de examinar meu ouvido, garganta e pulmões, pediu-me para deitar na maca e começou a apertar minha barriga. Agora, tudo que fizesse teria uma conotação homossexual para mim. Até que ele voltou a me surpreender:

- A Bia me falou bastante de você, Jotapê. Como vão as coisas com a namorada?

A pergunta me deixou tão ou mais desconcertado do que a primeira. Ora, se ele sabia quem eu era e, pior, das minhas "convicções", digamos assim, por que agiu daquele jeito?

- Confusas - respondi. Tudo está muito confuso...

- Pois bem. Pode pôr a camisa e esconder esse peito peludo. Passe aí do lado e tome essa injeção de corticóide. Depois tome esses remédios que eu vou lhe prescrever e logo logo você vai se levantar.

- Doutor, eu não preciso de remédio nenhum pra me levantar, pelo menos por enquanto...

Ele sorriu e me disse se não podíamos marcar de sair um dia desses.

- Você quer dizer, você e eu...

- E a Bia e a Majô. E a Leandra, se você quiser.

- Oh, sim. Claro... Obrigado, doutor Machado.

- André, pode me chamar só de André.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Picanha ao ponto, mas com salada

Cedendo aos insistentes pedidos de meus companheiros de blog, enfim vou escrever sobre o desenrolar da minha história com o Dr. Machado, que agora é simplesmente André. Mesmo porque, não seria justo eu ficar me resguardando depois da retaliação da Leandra em relação aos últimos posts do Jotapê, que segundo ela fica expondo a história dos dois “nesse espaço ridículo”.

Bom, depois de uma série de “coincidências” que nos levaram (eu e o André) ao mesmo momento à máquina de café (nada como fazer a unha com a esposa do cara que cuida do monitoramento câmeras do circuito interno), e de diversas conversas sobre o tempo, o capuccino sem gosto, plantões e pacientes malas, consegui que ele me convidasse para almoçar numa sexta-feira, depois de um plantão de 24 horas.

Óbvio que tomei banho na clínica e caprichei no melhor estilo “não estou nem ai, só tomei um banho, sou sempre assim despojada”. Saímos. E daí, meu primeiro fora, sugeri irmos a um rodízio ali perto, mas o André solta essa: “Ah não, sou vegetariano. Você já viu como é o abate dos animais?”.

Nesse momento eu quis sumir. Só não sei se por causa do fora ou por descobrir que ele não era perfeito. Sinto muito se você não come carne, mas para mim isso é um grave defeito, além de uma chatice. Eu amo os animais, inclusive a minha vaquinha da Parmalat, mas amo mais ainda uma picanha no alho. Sinceramente, há cinco tipos de pessoas que eu não confio: políticos, testemunhas de Jeová, gente que tem enxaqueca, que gosta de pitbull e que não come carne.

Mas enfim, o mercado está ruim e me vendi ao sistema: nesse dia pedi um salmão com molho de maracujá. Passado o susto, conversamos bastante e trocamos olhares e telefones. Ele me ligou no domingo, do seu plantão e me chamou para sair na terça, mas dessa vez quem estaria de plantão era eu. No final de semana seguinte, ele viajou para a casa dos pais, em São João da Boa Vista. Daí eu aproveitei e fui pra Santos com a Jú. Neste final de semana, ambos pegamos plantões, mas em locais diferentes, ele na clínica e eu em Guarulhos. Temos nos falado com freqüência e devemos sair amanhã. Acabei relevando o lance da carne, afinal, a carne é fraca.

Respondendo desde já:

- não, Majô, eu ainda não o beijei, não sou um lesma nem ele é viado, apenas estamos deixando as coisas fluírem naturalmente;

- ele sabe que sou carnívora e garanto que em determinado momento vai até curtir essa idéia;

- apesar dos inúmeros plantões noturnos, não estou querendo ficar rica, apenas tentando quitar as prestações do Fox antes que ele decepe meu dedo.

terça-feira, 8 de abril de 2008

prazos e losers

“Dead o que?” Nunca vou me esquecer do quanto critiquei a Cris no dia que ela me explicou que deadline era o nome que os jornalistas davam para o prazo de entrega das reportagens. Eu, uma profissional da Saúde, julguei um absurdo eles utilizarem a palavra morte para um simples prazo. Lembro que falei que só podia ser coisa de jornalista mesmo: aquele povinho metido a besta, de All Star fedorento e franjas ridículas!

Há tempos desisti de freqüentar as festas dos amigos da Cris, como essa que a Majô arrumou o bofe. Tudo bem, Jotapê, antes que você fale que minha lista seria bem menor se não fossem essas festas e como eu fui cruel quando dispensei aquele fotógrafo SÓ porque ele considerou o número de pedaços de pizza que cada um comeu na hora de rachar a conta, quero lembrá-lo que isso faz parte de um passado negro e que agora visto com orgulho a minha camiseta: “Losers, não vou”.

Mas enfim, esse post na verdade é uma maneira de me redimir com a Cris, pois à medida que o dia que a Majô estipulou para eu escrever no blog ia chegando, eu, sem idéia nenhuma, fui me desesperando e enfim sentindo o peso do “dead” do tal prazo. A Majô sabe ser autoritária quando quer, caramba: ela mandou mensagens no MSN, torpedo, e-mail e scrap avisando: não esqueça que segunda-feira é o seu dia de atualizar o blog!

Domingo à tarde, eu num plantão de bosta, dando bronca em uma auxiliar que furou três vezes uma paciente idosa antes de achar a veia da velhinha. De repente, toca o bip de mensagem do meu celular. Corro imediatamente pra saber se é alguma novidade do Dr. Machado (ele ia dar plantão na policlínica que a Jú trabalha), e não, simplesmente é a mensagem da dona Marjorie. Bem ou mal, essa iluminista conseguiu: Ta aqui, Majô, enrolei direitinho, mas escrevi! Tudo bem que no dia seguinte, mas releva, vai, desde o princípio não curti o tal do deadline.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Longe das telas

O comentário machista do JP sobre a minha profissão lembrou-me de todos os processos movidos pelo Coren contra emissoras de TV pela banalização da enfermagem. Apesar de parecer ridículo para muitos, o nosso Conselho tem razão sim, afinal, o fato de muita gente enxergar as enfermeiras como prostitutas de hospital é uma baita sacanagem! A gente estuda pra caramba, rala pacas, faz plantões desumanos, convive com a dor e a morte de perto e, ainda por cima, sofremos esse preconceito. Agora, deixando esse discurso politicamente correto de lado, que não me entendam mal, pois o Coren e a nossa classe tem razão, preciso confessar algo:

Quando eu entrei na faculdade passou pela minha cabeça ter uma vida emocionante como a do ER, ou do atual e mais sexual, Grey's Anatomy. E dai? Tenho amigas que fizeram jornalismo pra aparecer na TV e outras que cursaram direito pra usar terninho, então, qual o problema de que querer dar pro George Clooney? Anos se passaram, dezenas de médicos trabalhadores e amigos, mas também grosseiros, malcheirosos e safados passaram pelos meus plantões. Até que, semana passada, conheci o Dr. Machado. Gente, o cara é tudo de bom!!! Ortopedista, 33 anos, alto, cheiroso, olhos azuis, solteiro! Agora penso: o sonho valeu a pena? To atacando como posso. Vamos ver no que dá... por ele, vestiria até uma mini-saia branca no maior estilo "enfermeira da carnaval". Torçam por mim.